Arquitetura em climas extremos

No registro das tradições arquitetônicas ao longo do tempo, a geologia e o clima nas diferentes partes do mundo determinam a maior parte dos materiais de construção que podem ser usados num certo lugar. Já numa perspectiva contemporânea, onde as cadeias produtivas podem ser globais, temos que levar em conta duas categorias de impactos que essas cadeias têm sobre a arquitetura:

Figura 1: Rede de comércio marítimo global. Mapa: Nicolas Rapp, 2012
  • Primeiro, o impacto ambiental que decorre do transporte de longa distância; fig. 1

  • Segundo, o impacto socioeconômico de abrir mão do domínio local sobre as tecnologias da construção em favor de uma cadeia produtiva dependente de flutuações financeiras. fig. 2

No cenário econômico e ecológico da atualidade, escolher os processos produtivos da arquitetura tradicional acaba sendo um ato de responsabilidade ambiental e social.

Figura 3: Redes comerciais na África, Ásia e Europa nos séculos XI–XII. Mapa: Martin Månsson, 2018, v.4

Redes comerciais de longa distância existem desde a idade da pedra, sobretudo para obter matérias-primas de importância estratégica como metais ou ainda para trocar produtos manufaturados de luxo, como diz o próprio nome da famosa Rota da Seda. fig. 3 Ainda assim, no que diz respeito aos insumos da vida cotiana, o abastecimento das sociedades tradicionais é predominantemente local.

O acesso a recursos naturais disponíveis na região é o ponto de partida da cadeia produtiva tradicional, mas a gestão e o processamento desses recursos é que definem a forma que esses recursos assumem enquanto componentes construtivos nas diferentes tradições. O modo de talhar pedras, o uso da argila em taipas ou em blocos, os encaixes entre peças de madeira são todas particularidades culturais que influenciam o processo construtivo e resultam naquilo que chamamos mais superficialmente de o estilo característico de cada tradição.

Nos aspectos estruturais da arquitetura tradicional, são observadas várias particularidades em relação à arquitetura contemporânea, na qual predominam lajes, vigas, etc. Já quanto às questões bioclimáticas, existem mais semelhanças, sobretudo, na postura passiva frente ao clima, de modo a agir com ele, e não contra ele.

O bioclimatismo ainda é uma ciência inexata, sendo que apenas recentemente tem-se aprimorado mecanismos de verificação de desempenho ambiental em edificações.

Para além de se servir dos materiais extraídos da natureza, uma tradição arquitetônica sustentável precisa garantir o manejo desses recursos no longo prazo. Na Mesopotâmia antiga, algumas mudanças importantes não só nos sistemas construtivos mas também na agricultura e na pecuária talvez tenham a ver com o desmatamento das encostas montanhosas que formam o perímetro exterior do Crescente fértil. Reflorestar, mas também extrair e processar minérios com prudência, têm que ser preocupações centrais no processo produtivo. fig. 4

Em quase todas as cadeias da construção, existe um certo distanciamento entre, de um lado, a extração e o processamento dos materiais e, do outro lado, a especificação e o uso desses materiais na obra. O que é importante é que essa distância não represente, para o construtor ou o arquiteto, falta de conhecimento ou de preocupação com as etapas anteriores.

Já no século XV, Leon Battista Alberti, o arquiteto e tratadista italiano, podia comprar quase todos os componentes construtivos de que ele precisasse, prontos para uso.Alberti, Da arte edificatória, II, xiii.

No entanto, isso não o impediu de descrever, em linhas gerais, as características da matéria-prima ou o seu preparo. Esse gênero de informação, como se fosse um controle de qualidade ou de procedência, aparece desde o tratado de Vitrúvio e em textos do Renascimento inspirados por ele, como nos Quatro livros da arquitetura de Palladio.Palladio, I quattro libri dell’architettura, I.

O discurso sobre a origem dos materiais tende a desaparecer dos textos arquitetônicos a partir do século XVII. O fim da preocupação com a profundidade inteira da cadeia produtiva da construção acompanha uma tripla separação de competências no ofício: num vértice temos os arquitetos, que se especializam na solução espacial e estética das edificações; num segundo vértice, estão os engenheiros calculistas que concebem o equilíbrio estático dessas edificações a partir de materiais com propriedades já conhecidas; e, no terceiro vértice, temos os construtores que se ocupam de comprar e instalar os componentes padronizados. Nenhuma dessas três categorias profissionais tem mais o domínio da cadeia produtiva como um todo, nem sequer a necessidade ou as atribuições para se ocupar de trechos dessa cadeia que estejam fora da sua alçada.

Três idades do homem # {data-background-color=“#0f0”}

A casa como abrigo bem-temperado para pessoas de todas as idades.

Casas semienterradas

Já falamos das casa semienterradas do ponto de vista da construção com terra e da definição do espaço. Mas escavar uma habitação na terra é também o modo mais eficiente de conseguir um bom isolamento térmico.

A aldeia neolítica de Skara Brae, no mar do Norte, é um exemplo de adaptação a um clima frio e úmido, com muito vento. O conjunto parece uma aldeia de hobbits, com casas que parecem ter sido escavadas dentro da encosta da ilha. fig. 6

Figura 5: Planta da aldeia neolítica de Skara Brae, ilhas Órcades, Escócia, 3100–2800 a.C. Desenho adaptado de V. Gordon Childe, 1930

Figura 6: Modelo tridimensional da casa 7 em Skara Brae, 3100–2800 a.C. Historic Environment Scotland, 2021.

Cada casa tem uma câmara principal com algumas células satélites; todas as casas se articulam em volta de um corredor central, e o conjunto é coberto por um terrapleno apoiado em vigas de madeira. A única fonte de iluminação direta era uma abertura zenital, que também servia de exaustor. figs. 5, 7

Figura 7: Reconstituição da aldeia de Skara Brae vista desde o pátio de acesso ao corredor

Figura 8: Câmara de uma casa em Skara Brae, com lar central e três plataformas contra as paredes, célula satélie ao fundo. Foto: Archaeology Scotland, 2013

O espaço interno ficava bem isolado do frio, e a umidade era retirada pelo fogo sempre aceso na lareira central. fig. 8

O interior das casas era bastante escuro já que não havia janelas, só a abertura da chaminé no teto. Essa configuração deixa claro que as prioridades da arquitetura de Skara Brae eram o isolamento térmico e a proteção contra o vento. fig. 9

Figura 9: Reconstituição da câmara de uma casa em Skara Brae com a sua cobertura. Foto: Orkneyology

Ásia oriental

Figura 10: Regiões biogeográficas segundo Alfred Rusell Wallace, 1876. A China atravessa a divisa entre as regiões Paleártica e Oriental

O universo geográfico e cultural chinês fica no cruzamento entre dois reinos biogeográficos. fig. 10

Essa mistura de condições resultou numa tradição que se adaptava com facilidade a diferentes condições climáticas, de vegetação e outros recursos naturais, e consequentemente a modos de vida muito variados. fig. 11

Figura 11: Biomas de vegetação natural da China. Adam Peterson, 2016. O centro cultural da China, onde foi situada a maior parte das suas capitais históricas, está no limiar entre a região de florestas temperadas, onde se cultiva arroz, e a de estepes semiáridas, onde se cultivam cereais

Figura 12: Área de influência cultural chinesa no século VII d.C. Desenho: Brian Gotts, 2007

O mundo influenciado pela cultura chinesa se estendia, no seu auge durante o século VII d.C., fig. 12 do Turquestão ao Japão e da Manchúria à Indochina.Liang, A Pictorial History of Chinese Architecture, 21.

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Figura 13: Salão comunal semienterrado em Banpö, oeste da China, c. 4500 a.C. Desenho: Francis D.K. Ching. a – vista isométrica seccionada, b – corte longitudinal


No Japão, as casas semienterradas aparecem desde o final do Paleolítico,Kawashima, “Burial Practices and Social Complexity”.

e são cobertas com uma estrutura em madeira revestida com casca de árvore. figs. 14, 15 Esse tipo continua dominante na habitação rural japonesa, com alguns aprimoramentos, até o século XVI d.C.

Figura 14: Diagrama de uma casa semienterrada, período Jōmon tardio, Japão, últimos séculos a.C. Kawashima, 2011

Figura 15: Detalhe da estrutura de uma casa semienterrada, período Jōmon tardio

Estratégias de ventilação

China: casas-pátio polivalentes

O primeiro exemplo de uma visão integrada sobre o tema é a casa-pátio da arquitetura chinesa, modelo que se reproduziu ao longo do tempo. Aqui, a arquitetura das habitações interage com as condicionantes urbanísticas de ruas retas e a limitação dos lotes, em formato retangular e mais profundo. Esse tipo de parcelamento urbano resulta da busca por eficiência e um certo pacto social, que acaba se difundindo pelo mundo. Nota-se, ainda, uma boa diferenciação entre espaços públicos e privados, aliados às formas mais fechadas da casa (nos formatos de U ou C) e a corredores contínuos ao longo da rua. Essa configuração favorece bioclimaticamente por permitir uma boa canalização do ar e o bloqueio de ventos mais fortes. Os beirais também geram uma circulação de pessoas mais protegida nas vias. Os interiores das casas em “U” (com três lados e um muro) ou totalmente fechadas para fora são voltados para os pátios internos.

Configuração do modelo dominante da casa chinesa, cujo clima é temperado com monções, o que demanda do edifício diferentes padrões de ventilação (mais direta ou indireta). Essas duas formas diferentes de lidar com a ventilação está relacionada com a ocupação do tecido urbano.

Figura 16: Diorama da cidade de Linxi, dinastia Shang. Foto: 1001 Silk Roads, 2010

Casas-pátio

Figura 18: Léon Krier, ocupação urbana e suburbana de um lote

Figura 19: Trecho da malha urbana de Ur, antiga Suméria, III milênio a.C.

O bioclimatismo é um conhecimento muito complexo e específico de certas regiões, em razão das condicionantes locais. No caso do Brasil, é importante estudar os tipos de telhados locais, especialmente, os indígenas.

Há um pátio totalmente recluso, comum nas arquiteturas da Bacia do Mediterrâneo, mas que não se refletem tanto em Portugal e, portanto, no Brasil (onde os pátios tendem a ter vocações muito mais ritualísticas que bioclimáticas).

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Figura 20: Estratégias bioclimáticas de uma casa em Ur, antiga Suméria, III–II milênios a.C.. a – coleta de água de chuva, b – insolação aquece o piso do pátio…, c – …o ar quente do pátio sobe, gerando uma zona de baixa pressão que força a ventilação dos ambientes em volta

Mediterrâneo

Figura 21: Planta esquemática da casa A vii 4 em Olinto, segundo Cahill, 2002

Mesopotâmia: usam o pátio para coleta de água da chuva para as cisternas subterrâneas em seu centro, já que se trata de um bem precioso e de difícil acesso na região. Permite também acesso ao sol, que ajuda na ventilação por convecção (circulação do ar quente) de forma suave, indireta e com um ar com menos poeira.

Casas gregas: apresentam pátios voltados para o sul, virando-se o corpo principal da edificação para norte, eliminando sombras desse espaço. Ele recebe os ambientes no inverno para insolar suas paredes e aquecer os interiores. Esse esquema não apresentava grandes varações, estando orientados para sul de forma bastante padronizada em razão do desempenho bioclimático.

A tipologia da casa grega urbana se dividia em dois tipos mais difundidos: a casa com pastas ou salão em forma de pórtico e a casa com prostas, ou pórtico na frente de uma sala separada.Graham, “Origins and Interrelations of the Greek House and the Roman House”.

No tipo de casa com pastas, a sala principal no térreo abria diretamente para o pátio, e ela tinha uma ou duas células laterais sem abertura direta para fora, além de uma série de células funcionais atrás do pastas, incluindo a cozinha. fig. 21 Em casas mais ricas, o pastas podia dar uma volta inteira no pátio e formar um peristilo.

Perto da entrada da casa ficava uma sala de jantar social ou masculina, o andron, geralmente acessado por uma antessala.

Já o tipo com prostas tinha um pórtico entre o pátio e a sala principal, chamada de oikos. Nesse caso também, o pórtico se abria sempre que possível para o sul. Essa composição se aproxima do tipo da régia, com um mégarōn atrás de um pátio. Ela se encontra nas casas na cidade de Priene figs. 22, 23 e de outras cidades gregas.

Figura 22: Casas em Priene, reconstituídas por Whitley, 2001

Figura 23: Casas em Priene. Reconstituição por Gabriel Gourdoglou

Figura 24: Reconstituição de casas em Olinto

A regularidade das construções escavadas em Olinto e em outras cidades planejadas indica que se valorizavam a equidade na distribuição da propriedade e uma relativa homogeneidade, ou isonomia em grego, no modo de vida dos cidadãos. Além disso, as casas seguiam, sempre que possível, a mesma orientação solar: a ala principal da casa se abria para o sul, sobre o pátio. fig. 24 A galeria coberta no primeiro andar fig. 25 protegia os ambientes do sol a pino no verão, mas deixava entrar o sol de inverno, mais baixo.

Figura 25: Reconstituição de um pátio em Olinto, segundo Brunner

Figura 26: Olinto, casa das cores, reconstituição por Cahill, 2002

Por outro lado, a orientação solar idêntica obrigava a mudar o posicionamento da entrada das casas segundo a posição da rua com respeito ao lote. fig. 26

Figura 27: Planta esquemática de uma domus na cidade romana de Pompeia, c. século I a.C.–I d.C. Desenho: August Mau, 1899

Figura 28: Planta da casa de Salústio, Pompeia, c. século II a.C.–I d.C. Desenho: August Mau, 1899

A importância dessa axialidade fica mais evidente em casas da elite, implantadas em lotes maiores, como a casa de Salústio. fig. 28 A composição principal dessa casa ignora as divisas do lote e forma um conjunto quase perfeitamente simétrico tanto na fachada quanto na planta. Em contraste, os anexos, como as lojas, fig. 28, n.º 4–9 e os espaços privativos da família, como os jardins com peristilo e o átrio secundário, fig. 28, n.º 31–35 se acomodam no espaço residual entre a composição axial e as divisas irregulares do lote. A vista é desimpedida desde a entrada principal da casa até o tablinum, a sala onde o chefe da família recebia os seus clientes. fig. 29

Figura 29: Casa de Pansa, Pompeia, vista do átrio através do tablinum até o peristilo. Reconstituição segundo Mau, 1899

O átrio da casa romana é sempre cercado por beirais amplos, geralmente sustentados por duas vigas principais que vencem o vão estrutural mais curto e sustentam outras duas vigas secundárias. fig. 30 Esse sistema deixa o pátio totalmente livre de colunas. fig. 31

Com um clima mais estável e menos seco que na Grécia, não há tanta preocupação com a orientação do edifício, que, quase sempre, tem um pátio ou átrio central e apresenta o acesso axial direto para a rua. Nas versões mais ricas e luxuosas, pois os romanos são mais tolerantes com disparidades sociais, existem jardins com colunatas (chamados de peristilos). Suas ampliações ocorrem por meio da duplicação dos elementos padrão de um mesmo esquema de forma muito pragmática e diferente das construções monumentais e dos tipos edilícios de base, contando apenas com mais ambientes que não são necessariamente maiores. Com isso, nota-se a segregação social e relações com fortes hierarquias sociais, por exemplo, no caso das salas de jantar separadas para os visitantes mais ricos e próximos. Apresentam vãos livres entre 5 e 10 m, que variam conforme poderio aquisitivo das famílias. Já o paisagismo romano é funcional e ornamental simultaneamente.

Figura 30: Planta estrutural de um átrio toscano, segundo Mau, 1899

Figura 31: Corte longitudinal da casa de Salústio, Pompeia, século II a.C., compreendendo fauces, átrio e tablinum. Desenho: Mau, 1899

Figura 32: Esquema de uma cisterna romana

Figura 33: Cisterna na casa do átrio em U, Aregenua, Gália romana (atual sítio de Vieux-la-Romaine, Normandia)

Os beirais do átrio oferecem uma circulação ao abrigo do sol e da chuva. Eles também canalizam a água para uma cisterna central, debaixo do piso. fig. 32 Deixar a água parada na cisterna ajudava a decantar as impurezas, mesmo quando o abastecimento vinha de um aqueduto e não da coleta da água de chuva. Outra canalização desaguava o excesso da cisterna sobre a rua. fig. 33

Cisterna romana: a água é recolhida em um espelho d’água, que a refresca no verão, decantando as impurezas e caindo em um poço na qual é armazenada, sendo recolhida para uso posterior por baldes de forma manual.

Figura 34: Reconstituição da casa de Maomé em Medina, c. 622 d.C., segundo Leacroft, 1976

A casa árabe urbana na bacia do Mediterrâneo combina características dos tipos grego e romano com adaptações bioclimáticas e construtivas originárias da Mesopotâmia. O tipo originário da casa árabe é, na verdade, uma morada rual. Ela parte de um terreiro cercado amplo, onde se podiam arrebanhar os animais da família durante a noite. Um dos lados desse cercado tinha um pórtico aberto para o terreiro, sem divisórias internas. O modelo paradigmático desse tipo é a descrição que foi transmitida através das gerações da casa do profeta Maomé em Medina, no início do século VII d.C.. fig. 34

Não apresenta um tipo único de casa-pátio, mas variações conforme as diversas zonas climáticas abrangidas.

Na Península Arábica, há uma ocupação de baixa densidade com espaços reclusos e muito amplos, por se tratar de uma sociedade de pastores com rebanhos a serem abrigados nas moradias ou de comerciantes que demandam área para estoque de mercadorias). Assim, são verificados grandes muros e complexos familiares fechados, com ambientes internos divididos por tecidos, geralmente, e voltados para o pátio.

Fora da Arábia, são observados outros tipos de pátios, mais próximos aos gregos e romanos. Exemplo: Alhambra, em Granada na Espanha, com seus pátios destacados por espelhos d’água.

Leste (na região da antiga Pérsia): destacam-se as torres de ventilação, indicando a preocupação com o resfriamento dos ambientes, em razão do clima marcado pelos extremos de temperatura. Esses dispositivos forçam uma circulação mais intensa do ar, que se torna mais fresco, canalizando-o e atenuando sua velocidade (circula pelo ambiente e sai com rapidez), tornando-o também mais limpo.

Hassam Fathy: foi um arquiteto egípcio que usa estratégias bioclimáticas tradicionais em edifícios modernos (décadas de 1920 a 1940) de forma bastante sustentável, tornando-se conhecido por isso.

Irã: uso das torres de ventilação associadas aos “Qanat”, que são aquedutos que partem do lençol freático e que levam água para outros pontos do território circundante e/ou incorporam características ornamentais com foco na irrigação de culturas. O ar entra através dos poços de visita em seus canais e passa por uma câmara que suga esse ar resfriado pela água, o qual segue pela torre de ventilação e chega até o ambiente externo, formando uma espécie de geladeira natural.

Figura 35: Alhambra, Granada, corte do pátio das murtas olhando para o divã do sultão (elevação norte), anterior ao século XVI. Levantamento: Jules Goury, 1842

Ventilação indireta

Figura 36: Badghir (torre de ventilação) em Yazd, Irã. Foto: Andrea Taroni, 2008

Figura 37: Princípio de funcionamento de uma torre de ventilação

Figura 38: Hassan Fathy, arquiteto, corte de uma casa em al-Qurna, Egito, 1946–1952. Desenho reproduzido em TecnoHaus, 2017

Figura 39: Corte esquemático de um qanat. Amada44, 2009

Figura 40: Qanat - Madarkoshi. Produção: Nikahang, 2018.

Figura 41: Yakchāl: ambiente de resfriamento com o uso de um qanat e uma badghir. Desenho: Samuel Bailey, 2009

Figura 42: Difusão da tecnologia do qanat. Desenho: Emesik, 2009

Ventilação cruzada

Figura 43: Arquipélago de Nusantara no auge do império Majapahit, século XIV Gunawan Kartapranata, 2009

Figura 44: Setorização da casa malaia
Figura 45: Ventilação cruzada na casa malaia

Figura 46: Sequência tipológica da casa malaia. Lin, 1991, ap. Beng et al., 2015

Figura 47: Reconstituição do kota raja (complexo palaciano) de Malacca no século XV. Desenho: Mohd Faizal Rahmat, 2016–2018

Índia: unidade na diversidade

A cultura tradicional da Índia é exótica aos olhos do Ocidente num nível que outras culturas da Ásia não atingem. A China é centralizada, burocrática e materialista — todos valores que os europeus conhecem bem. Mesmo com toda a controvérsia em torno do Orientalismo, a cultura árabe partilha das mesmas raízes mediterrâneas e, sobretudo, greco-romanas da civilização europeia.

Em contraste, a representação da cultura indiana no Ocidente costuma recair em lugares-comuns do exotismo: espiritualidade mística, arte exuberante e livre de regras acadêmicas, uma estratificação social e de gênero opressiva e, claro, uma história tão antiga que os historiadores europeus do século XIX não podiam admitir que ela fosse verdadeira.

Figura 48: Percy Brown (1872–1955) com o artista caxemirí D.N. Walli

Essa era a opinião do historiador da arte anglo-indiano Percy Brown, fig. 48 um dos pioneiros no estudo das origens da arquitetura monumental na Índia. Para Brown:

Em cada um dos principais processos históricos da arquitetura há um princípio básico fundamentando a sua concepção, e que lhe dá a sua distinção acima de tudo. Entre os gregos era a perfeição refinada; edifícios romanos são notáveis pela sua construção científica; o Gótico francês revela uma condição de energia ardente, enquanto o Renascimento italiano reflete a intelectualidade da sua época. Do mesmo modo, a qualidade preeminente da arquitetura da Índia é o seu teor espiritual. … Ela é a mente materializada em termos de rocha, tijolo ou pedra.Brown, Buddhist and Hindu Periods, 1.

Figura 49: Ananda K. Coomaraswamy (1877–1947). Foto: Alvin Langdon Coburn, 1916

Os pesquisadores indianos tratam do tema da espiritualidade na arquitetura de modos variados, mas sempre diferentes do exotismo ocidental. O historiador da arte cingalês Ananda Coomaraswamy fig. 49 foi um dos pioneiros da revisão da arquitetura indiana segundo um viés que não se fazia subserviente aos esquemas interpretativos europeus. Na verdade, Coomaraswamy defendia que os conceitos tradicionais de arte na Índia e na Europa se aproximavam numa transcendência universal;Coomaraswamy, Christian and Oriental Philosophy of Art.

a história da arte moderna, segundo ele muito materialista, não era capaz de explicar adequadamente essa unidade conceitual.

Apesar disso, o sistema teórico de Coomaraswamy era uma faca de dois gumes. Por um lado, ele afirmava uma autonomia metodológica para a história da arquitetura indiana com respeito ao paradigma colonialista britânico. Por outro lado, esse sistema promovia uma espécie de colonialismo cultural interno. Coomaraswamy propunha uma unidade continental que tinha o hinduísmo como base e, mais ainda, afirmava a primazia da cultura ariana na história da Índia como um todo (atenção: nada a ver com o conceito nazista de “ariano”: os arianos de verdade foram um povo pré-histórico que viveu logo depois da separação do tronco linguístico indo-europeu; eles deram origem às sociedades e aos dialetos do norte da Índia e da Pérsia antiga).

Figura 50: Civilização do vale do rio Indo, fase central. Desenho: Avantiputra7, 2014

Figura 51: Migrações arianas no período védico inicial. Desenho: Avantiputra7, 2014
Figura 52: Reinos nāgara do período védico tardio. Os territórios ao sul da área sombreada correspondem em linhas gerais à cultura dravídica. Desenho: Avantiputra7, 2014

A interpretação da arquitetura na Índia antiga segundo Coomaraswamy postula a continuidade entre a civilização urbana do vale do rio Indo, fig. 50 na Idade do Bronze, e a cultura védica de tradição oral que introduziu a Idade do Ferro no subcontinente. figs. 51, 52 Essa pretensa continuidade tem sido um ponto de discórdia na historiografia da Índia: por um lado, os críticos dessa teoria argumentam que ela é um pretexto pseudo-científico para o supremacismo hindu; por outro, a evidência arqueológica cada vez mais tende a corroborar uma transição contínua entre as culturas das Idades do Bronze e do Ferro no subcontinente Indiano.

Figura 53: Selo Paśupati (senhor dos animais), talvez representando uma figura de “Shiva” ou iogue. Mohenjo-Dāro, 2600–1900 a.C.

Uma das evidências mais antigas nesse sentido é um carimbo para objetos em argila representando uma personagem com três rostos em posição de iogue. Coomaraswamy chegou a identificar essa figura com o deus hinduísta Shiva, mas essa identidade não é amplamente reconhecida. Um argumento mais convincente é a continuidade da cultura urbana no norte da Índia entre o declínio das cidades do vale do rio Indo, por volta de 1300 a.C. fig. 50, e a ascensão das cidades na planície ocidental dos rios Ganges e Yamuna, fig. 54 que correspondem ao período e à região das sociedades védicas antigas.Kenoyer, “Tems, Specialised Crafts and Culture Change”.

Figura 54: Cidades da cultura da cêramica cinza pintada, Idade do Ferro inicial. Mapa: Avantiputra7, 2014

Figura 55: Dançarina dita “dravídica”, Mohenjo-Dāro, 2300–1750 a.C. Bronze, 10,8 cm de altura. Museu Nacional, Nova Déli
Figura 56: Estatueta dita do rei–sacerdote ou sacerdote “ariano”, Mohenjo-Dāro, 2400–1900 a.C. Pedra-sabão cozida, 17,5 cm de altura. Museu Nacional do Paquistão, Karachī

Duas estátuas muito pequenas, escavadas em Mohenjo-Dāro, acabaram se tornando o fulcro do debate sobre a unidade da cultura indiana. Uma delas fig. 55 é em bronze não polido, portanto negra, e representa uma mulher com lábios grossos, cabelo encaracolado e nariz achatado — traços físicos dominantes hoje em dia entre os povos do sul da Índia. Por causa disso, ela foi apelidada de “dançarina dravídica”. A outra fig. 56 é em pedra-sabão branca e representa um homem bom barba lisa e nariz aquilino — feições mais características do noroeste do subcontinente Indiano. Esta recebeu a alcunha de “sacerdote ariano”.

Essas e outras evidências descobertas desde a primeira metade do século XX apontam para uma miscigenação étnica e continuidade cultural entre a cultura da Idade do Bronze no vale do rio Indo A população pré-histórica do vale do rio Indo provavelmente não era dravídica e sim austro-asiática, parte de um substrato que se estende até o sudeste Asiático.

e a cultura da Idade do Ferro na planície do rio Ganges, dominada pelos indo-arianos. Essa miscigenação é muito mais antiga do que se acreditava antigamente, e pode ter começado com as primeiras migrações indo-arianas por volta de 1800 a.C.. fig. 57

Figura 57: Migrações na Eurásia da Idade do Bronze Média, c. 1750–1250 a.C. No centro, migração de povos indo-arianos (“Rigvédicos”) da Ásia central para o noroeste da Índia. Mapa: Carlos Quiles, 2021

Nāgara vs Drāviḍa

Prevenções ocidentais: ênfase no templo como monumento vs diversidade das formas de devoção

Figura 58: Império Maurya no seu auge. Desenho: Avantiputra7, 2014

Figura 59: Planta dos monumentos na colina de Sāñcī. Archaeological Survey of India

Figura 60: Estupas e mosteiros na colina de Sanchi, reconstituição nos primeiros séculos d.C. segundo Percy Brown, 1959

Civilizações hidráulicas

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Figura 61: Diagrama dos ventos de monções no oceano Índico e sul da Ásia. a – verão, b – inverno

Figura 62: Registro de pluviometria das monções no sul da Ásia. Desenho: Mdmadhu, 2017

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Figura 63: Ciclo das monções em Panorama point, Monte Methera, Ghats ocidentais. Fotos: Arne Hückelheim, 2010. a – maio, b – agosto

Figura 64: Expansão do hinduísmo na Ásia, século I a XII d.C. Mapa: Gunawan Kartapranata, 2015

Ceilão

Figura 65: Rochedo e palácio de Sigiriya, Sri Lanka, iniciado 477 d.C.

Figura 66: Complexo urbano–paisagístico–palaciano de Sigiriya. Planta: Nilsan Cooray, 2012

Figura 67: Sistema de proporções dos jardins na cidade baixa de Sigiriya. Reconstituição por Nilsan Cooray, 2012

Figura 68: Sistema de proporções e eixos em Sigiriya. Reconstituição por Nilsan Cooray, 2012

Figura 69: Sistema de proporções no mandala central do jardim de Sigiriya. Reconstituição por Nilsan Cooray, 2012

Figura 70: Esquema hidráulico dos jardins de Sigiriya. Reconstituição por Nilsan Cooray, 2012

Figura 71: Planta dos jardins suspensos do rei Kaśyapa no palácio de Sigiriya, após 477. Desenho: Nilsan Cooray, 2012

Figura 72: Volumetria dos jardins suspensos de Kaśyapa. Modelo: Nilsan Cooray, 2012

Agricultura e comércio internacional

O desenvolvimento político e econômico do Sudeste asiático entre os séculos IX e XIV se deve em parte a um período de aquecimento global. Esse período de aquecimento deslocou as redes comerciais da Ásia da rota terrestre da Seda, que passava pelos desertos da Ásia central, para os percursos marítimos do oceano Índico. fig. 73 Além disso, esse período está associado à queda da dinastia Tang na China, que dependia do comércio na rota da Seda e do abastecimento em matérias-primas da Ásia central.

Figura 73: Rede comercial marítima dos povos austronésios. Mapa: Obsidian Soul, 2019

Figura 74: Estados da Ásia no início do século XIII. Mapa: Talessman, 2007

Esse processo permitiu a ascensão da dinastia Chola no sul da Índia como a primeira potência marítima e mercante da região. fig. 74 Enquanto isso, na China, a dinastia Song se abria para o sul, para controlar o abastecimento em dois insumos que estavam se tornando essenciais para a subsistência e o modo de vida dos chineses: o chá e o arroz. A chamada “antiga rota do chá” ou “rota do chá e dos cavalos” fig. 75 dava acesso às plantações do sudoeste da China e do reino de Dali.

Figura 75: Antiga rota do chá entre a China, a Índia e o Sudeste asiático. Mapa: Redgeographics, 2017

Figura 76: Região fronteiriça entre o Yunnan (China) e a Birmânia. Foto: David and Jessie, 2009

A antiga rota do chá era um sistema de caminhos de montanha, fig. 76 praticáveis só para carregadores pedestres, cavalos e mulas. figs. 77, 78 Ela permitia o escambo de chá chinês por cavalos tibetanos e o comércio de tecidos de seda chinesa e algodão bengalês — dois produtos manufaturados que eram exportados para toda a Ásia, África e Europa.

Figura 77: Antiga rota do chá em Chenyao, China. Foto: Nekitarc, 2017

Figura 78: Carregadores de chá em Sichuan

Figura 79: Plantação de arroz em Wuli, Yunnan. Foto: Xing Fangyu, 2020

Com o aumento do comércio, a partir do século IX, a população do sul da China foi se urbanizando. Isso gerava demanda por abastecimento em grande escala. As regiões de monções se especializaram então no plantio em arrozais irrigados, uma das técnicas agrícolas de maior produtividade em todo o mundo. fig. 79

Os três fatores — deslocamento das rotas comerciais para o sul, demanda por redes de abastecimento para as cidades grandes e aquecimento global permitindo o aumento da produtividade agrícola — gera uma economia do excedente agrário no Sudeste asiático. O comércio de longa distância nesse sistema é predominantemente baseado no escambo. Na ausência de moeda, o arroz é trocado sobretudo por artigos de luxo.

Império Khmer

O império Khmer é um estado que se estabeleceu e se expandiu na onda da economia agroexportadora. fig. 80 Ele foi um estado altamente especializado: os seus objetivos eram produzir arroz para o mercado externo e controlar os percursos de escoamento da produção ao longo do rio Mekong, sobretudo para o norte na rota do chá e para o sul no comércio marítimo. A capacidade de organizar e manter o sistema agroexportador vinha da centralização política; essa centralização, por sua vez, era mantida tanto pela capacidade de o sistema alimentar a própria população local, quanto pela afirmação simbólica da legitimidade dos reis khmeres.

Figura 80: Expansão do império Khmer. Mapa: Thames Mapping, 2021

A legitimidade simbólica da realeza khmer estava atrelada à expansão do hinduísmo no Sudeste asiático fig. 64 e ao conceito de direito divino da monarquia que se articulava no diálogo entre essa religião “importada” e as formas de religiosidade locais. O status divino dos reis estava, portanto, vinculado, por um lado, à obtenção de artigos de luxo por meio do comércio — sobretudo seda, ouro e pedras preciosas fig. 81 —, e por outro lado à construção e manutenção de complexos monumentais de templos associados a palácios. fig. 82

Figura 81: Diorama representando um rei khmer. Cambodian Cultural Village, Siem Reap

Angkor

Figura 83: Sistema de canais e reservatórios de Angkor no período imperial. National Geographic

A capital khmer em Angkor cumpria ao mesmo tempo todas as funções de legitimação e manutenção do poder político centralizado. Antes de mais nada, a cidade foi escolhida para ser o centro de uma área extensa de arrozais irrigados, aberta no meio da floresta. fig. 83 A implantação da cidade perto da margem do Grande Lago era estratégica: as chuvas de monção fazem o volume do rio Mekong aumentar tanto que o sentido do curso do próprio lago se inverte, alagando a planície em volta dele. fig. 84

Figura 84: Alagamento sazonal do Grande Lago, Camboja. Escola de Arquitetura da Universidade de Hong Kong

Figura 85: Tanque de água em Angkor Wat. Foto: Luis Bartolomé Marcos, 2014

A razão de ser da cidade era capturar os benefícios desse alagamento. Ele permitia fazer três colheitas de arroz por ano: uma colheita do arroz que crescia na região alagada, outra colheita em campos que podiam ser alagados artificialmente por tanques, fig. 85 e uma terceira colheita de arroz cultivado em terreno seco. Os canais e reservatórios, chamados baray em khmer, eram minuciosamente dimensionados e tinham um sistema de comportas. Durante a estação das chuvas, a cheia do lago alimentava os tanques; na estação seca, as comportas eram abertas e a água armazenada nos reservatórios era usada para irrigar os campos.

Figura 86: Vrah Vishnulok, o centro administrativo e religioso de Angkor, formado por Angkor Wat e Angkor Thom

A cidade de Vrah Vishnulok fig. 86 ficava no centro desse sistema. O complexo palaciano, conhecido hoje como Angkor Thom, ficava diretamente entre os dois maiores baray. Ao sul está Angkor Wat, o templo mais importante do conjunto. Os fossos que circundam Angkor Wat e Angkor Thom não são só elementos ornamentais ou de proteção, mas também faziam parte do sistema de gestão da água. A inserção da cidade administrativa no seu conjunto só passou a ser melhor compreendida recentemente.

Até o começo do século XX, os arqueólogos acreditavam que Vrah Vishnulok era um complexo religioso–administrativo isolado no meio de uma vasta zona totalmente rural, como mostra a reconstituição da fig. 86. Mais recentemente, cruzando os levantamentos de radar com o relato de um diplomata chinês do século XIII, Zhou Daguan, foi possível reconstituir uma imagem de Angkor Wat e Angkor Thom muito mais condizente com a capital de um grande império.

Todo o espaço em volta desses conjuntos axiais e regulares (fig. 87) era ocupado por uma malha deformada de canais e tanques secundários.Evans e Fletcher, “The Landscape of Angkor Wat Redefined”.

As casas das famílias se agrupavam em volta desses reservatórios menores. O complexo de Angkor era todo ele uma imensa urbanização de baixa densidade, uma espécie de cidade-jardim, onde as atividades agrícolas, artesanais, comerciais, administrativas e religiosas aconteciam de modo distribuído por todo o território. fig. 88

Figura 87: Levantamento por LiDAR da área em torno de Angkor Wat. Evans e Fletcher, 2015

Figura 88: Plano de conjunto de Angkor, levantado por LiDAR. Evans e Fletcher, 2015

Assim como o império Khmer ascendeu no século IX graças ao aquecimento global e à demanda crescente por arroz no sul da China, ele entrou em declínio no século XIV com o início de um período de resfriamento global conhecido como a “pequena Idade do Gelo”. As chuvas de monção diminuíram ao longo de algumas décadas e as cheias do lago se reduziram, o que assoreou os reservatórios e reduziu a capacidade produtiva do campo em volta de Angkor. Sem meios de subsistência, a população se dispersou e o poder econômico e militar dos reis decaiu. No século XV, o império Khmer foi conquistado pelo reino de Sião — a atual Tailândia —, uma sociedade guerreira que não dependia de grandes redes comerciais.

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