Tendas e cabanas

Nos mitos da cabana primitiva e nas culturas da maior parte do mundo, a madeira é o material primordial da arquitetura. A construção tradicional em madeira é uma concepção aditiva, isto é, ela se caracteriza estruturalmente e visualmente pela montagem de peças claramente distintas entre si. Quase todas as tradições arquitetônicas em madeira usam o que chamamos de um sistema arquitravado: vigas que trabalham à flexão, simplesmente apoiadas sobre pilares em compressão. Vamos ver como algumas dessas tradições codificam um cânone da construção arquitravada em madeira; na sequência, vamos ver como esse cânone pode ser usado como ponto de partida para construções em pedra.

Figura 1: Cabanas primitivas segundo William Chambers, A Treatise on Civil Architecture, 1759

A madeira tem um papel central em dois dos três tipos primordiais de construção tradicional, a “tenda” e a “cabana”, enquanto o terceiro tipo, a “caverna”, é característico das construções em alvenaria ou taipa. fig. 1 Esses tipos foram definidos na segunda metade do século XVIII pelo britânico William Chambers e pelo francês Quatremère de Quincy.Chambers, A Treatise on Civil Architecture; Quatremère de Quincy, Caractère.

Figura 2: Reconstituição dos abrigos de Terra Amata, 380.000 a.p. Foto: Véronique Pagnier, 2011

As tendas são abrigos temporários que têm como única estrutura portante um certo número de varas apoiadas entre si. A hipótese de reconstituição dos vestígios de Terra Amata, no sudeste da França, datados de até 380 mil anos atrás, fig. 2 talvez seja o exemplo mais antigo conhecido desse tipo.

Figura 3: Tipi dos oglala, etnia Lakota, América do Norte. Foto: John C.H. Grabill, 1891

Várias comunidades em diferentes regiões do mundo usam tendas pelo menos durante uma parte do ano: por exemplo, o tipi da América do Norte fig. 3 ou a iurta do norte da Ásia. fig. 4 Sociedades predominantemente sedentárias constroem tendas como abrigos de caça ou de expedições militares. fig. 5

Figura 4: Vasily Vereshchagin, Tenda quirguiz no rio Chu, 1869–1870

Figura 5: Barraca do corpo de Fuzileiros navais dos Estados Unidos no Afeganistão. Departamento da Defesa dos Estados Unidos, 2014

Na sua essência, a concepção estrutural da tenda é um sistema de pórticos radiais ou alinhados. A simplicidade extrema das tendas é uma vantagem em se tratando de abrigos temporários. Por outro lado, algumas tradições arquitetônicas usam tipos derivados da tenda como habitações permanentes; além das iurtas do norte da Ásia, o exemplo mais notável é o das comunidades Ma’dan no sul da Mesopotânia, mais conhecidas como os “árabes do pântano”. fig. 6

Figura 6: Mudhif (morada dos Ma’dan), sul do Iraque

Figura 7: Construção de um mudhif. Foto: Jassim Alasadi

Os mudhif, as moradas dos Ma’dan, são construídas com feixes de juncos em forma de arcos, revestidos com mais juncos. fig. 7 Os pórticos arqueados do mudhif são razoavelmente rígidos no seu próprio plano; os feixes de juncos do revestimento fazem o contraventamento no plano ortogonal ao dos pórticos. fig. 8

Figura 8: Esquema estrutural de um mudhif

Figura 9: Interior de um mudhif. Foto: Ikhlas Abbis

O uso do mesmo material para a estrutura e o revestimento lembra uma versão orgânica das construções em alvenaria, mas a lógica do esqueleto estrutural, que não se diferencia em apoios verticais e elementos de cobertura distintos entre si, remete ao tipo da tenda. fig. 9

Em contraste com o tipo da tenda, o tipo da cabana se caracteriza por uma sequência de armações estruturais em duas dimensões. fig. 1 Essas armações podem ser iguais ou diferentes entre si, mas são sempre formadas por dois grupos de componentes claramente distintos: primeiro, pilares ou esteios que formam os principais apoios verticais à compressão; segundo, vigas ou barrotes que distribuem horizontalmente, ou seja, em flexão, as cargas recebidas dos assoalhos e coberturas para os apoios verticais.

Figura 10: Thomas Cole, The Course of Empire: The Savage State, 1834

Portanto, só porque tanto a tenda quanto a cabana são construídas em madeira não quer dizer que a cabana é de algum modo uma evolução ou aprimoramento da tenda. Esses tipos representam, como já disse Quatremère de Quincy no final do século XVIII, modos de vida e tradições construtivas diferentes. A maioria das sociedades que constroem tendas é nômade ou seminômade, em geral caçadores-coletores como os que estão representados na pintura de Thomas Cole intitulada O estado selvagem, parte da série sobre O decurso do império. fig. 10

Pelo contrário, todas as sociedades que constroem cabanas, ou são totalmente sedentárias num único sítio, ou alternam numa escala sazonal entre dois sítios fixos. Essa alternância sazonal é chamada de transumância, e caracteriza muitas comunidades tradicionais em todos os continentes, por exemplo na região do Sael. fig. 11

Figura 11: Padrões de transumância no Sael. OCDE, 2014

Figura 12: Regiões de origem da vida sedentária: centro-norte da Europa, nordeste da Ásia e Crescente fértil

A vida transumante ou sedentária permite às comunidades investirem mais esforço em construções duráveis, e também em outras comodidades duráveis como as ferramentas de pedra polida e os recipientes em cerâmica. A adoção desses modos de vida por caçadores-coletores começou entre 25 e 15 mil anos atrás em três regiões muito distantes e diferentes entre si: as planícies do centro-norte da Europa, as florestas temperadas em volta dos mares Amarelo e do Japão, no nordeste da Ásia, e as encostas subtropicais do Crescente fértil, na Mesopotâmia. fig. 12 Algum tempo mais tarde, a vida sedentária começa a ser adotada também em várias partes do continente americano.

Figura 13: Reconstituição do abrigo do período Natufiano em Eynan, Israel, c. 15 a 12 mil anos atrás. Haklay e Gopher, 2015

Desde os mais antigos vestígios de cabanas, como no sítio arqueológico de Eynan, em Israel, datado de 15 a 12 mil anos atrás, fig. 13 a concepção dessas construções é estruturada com clareza e é totalmente diferente das tendas.Haklay e Gopher, “A New Look at Shelter 131/51 in the Natufian Site of Eynan (Ain-Mallaha), Israel.

O abrigo de Eynan se apoiava num muro de arrimo semicircular e era provavelmente coberto com um sistema de esteios fincados verticalmente no chão, que sustentavam uma cobertura de caibros. O esforço de planejamento e execução dessa construção indica que esse sítio devia ser ocupado, talvez não de modo permanente, mas pelo menos em temporadas longas.

Eynan é um sítio do período mesolítico, ou seja, da transição entre as sociedades de caçadores-coletores do paleolítico e as sociedades de agricultores e pastores do neolítico. Transição, nesse caso, não significa que encontramos tipos de abrigos de algum modo intermediários entre a tenda e a cabana; significa que a comunidade que usou esse sítio estava adotando um modo de vida sedentário, e criou um novo tipo de morada para atender a esse novo modo de vida. No abrigo de Eynan, a distinção entre os apoios verticais e os elementos apoiados — caibros inclinados, mas também frechais horizontais — é completa. Logo, esse abrigo não tem absolutamente nenhuma relação com a concepção estrutural das tendas, onde essa distinção não existe.

Figura 14: Culturas e populações do mesolítico inicial na Eurásia. Carlos Quiles, 2021

A construção arquitravada segundo o tipo tradicional da cabana aproveita as características do desempenho estrutural da madeira. Essas características são a alta resistência da madeira tanto à compressão quanto à flexão — sempre na direção das fibras — e a sua baixa resistência ao cisalhamento, também conhecido como esforço cortante. O esforço cortante é perpendicular às fibras da madeira e geralmente se concentra nas extremidades das vigas. Como resultado, temos, por um lado, pilares e vigas esbeltos, e por outro, soluções engenhosas para apoiar as extremidades das vigas sobre os pilares, assim como para ligar a cobertura ao sistema pilares–viga.

Figura 15: Forças na construção arquitravada: (a) compressão axial; (b) flexão; (c) cisalhamento

Figura 16: Monte Wutai, Nanchansi, salão maior, 782 d.C. Foto: Zhang Zhugang, 2013

Dentre as inúmeras variações sobre o tema da construção arquitravada em madeira por todo o mundo, três tradições construtivas são especialmente interessantes para nós: o sistema altamente refinado e minuciosamente codificado da arquitetura chinesa, fig. 16 as moradas com pórtico central dos povos que vivem nas depressões do sul da bacia Amazônica, fig. 17 e as tradições de construção arquitravada no Mediterrâneo oriental.

Figura 17: Casa lagartixa em construção, mostrando o pórtico central. Manual de arquitetura kamayurá, 2019

Figura 18: Distribuição originária da tradição arquitravada dita “clássica”

Das três, esta última, a tradição do Mediterrâneo oriental, fig. 18 é a única que está praticamente extinta na sua forma original em madeira. Mas ela é, também, a que deixou o legado mais dominante na arquitetura dos últimos 2500 anos, um legado que foi codificado e imortalizado em pedra: a arquitetura clássica greco-romana.

Colunas e vigas

O tipo primordial da cabana se caracteriza por estruturas lineares de vigas apoiadas em pilares. Três grandes tradições de cabanas se consolidaram em diferentes partes do mundo no período de c. 1500 a.C. e 1500 d.C.: o método chinês de carpintaria estrutural, a arquitetura clássica do Mediterrâneo oriental, e a construção de casas alongadas na bacia Amazônica. Essas tradições influenciaram, por sua vez, várias outras regiões e culturas construtivas. Todas elas se originam da construção com perfis pesados de madeira e colunas feitas de troncos inteiros.

A possibilidade, ou a necessidade, de usar troncos de tamanhos específicos determinava as dimensões, mas também as proporções das colunas: mais esbeltas onde se usavam árvores mais finas, como pinheiros; mais grossas quando se tinha cedro ou carvalho à disposição. O uso descontrolado da madeira de cedro, sobretudo proveniente do Líbano, fig. 19 e de outras essências, primeiro para a construção civil e mais adiante para a construção naval, foi uma das principais causas de desmatamento na região do Crescente fértil e na Grécia ainda na Antiguidade; esse desmatamento pode até mesmo ter alterado o clima na região, com consequências que se prolongam até hoje.

Algumas construções monumentais muito antigas usavam pilares feitos de grandes troncos de árvores diretamente fincados no chão. Talvez fosse o caso da estrutura de madeira que fazia parte do monumento megalítico de Stonehenge. No Japão atual, a arquitetura do santuário de Ise afeta essa solução arcaizante; fig. 20 o santuário é reconstruído a cada 20 anos desde o século VII d.C. seguindo a mesma técnica.Watanabe, Shinto Art.

Figura 20: Pavilhão principal do recinto interior, santuário de Ise, Japão, última reconstrução em 2013. Foto: Ise Jingū

Figura 21: ’Ok eté kamayurá. Manual de arquitetura kamayurá, 2019

A tradição amazônica, atestada pelo menos desde o século XIII, usa uma colunata central que sustenta diretamente a viga de cumeeira. Os tipos de ’ok kamayurá fig. 21 são os tipos mais consolidados e bem documentados que persistem até hoje.Kamayurá (povo), Manual da arquitetura kamayurá.

Nessas construções, os elementos estruturais são muito esbeltos porque são feitos em madeira de lei da Amazônia.

Os esteios são engastados no chão e a viga de cumeeira é amarrada nos esteios. Isso dá uma boa rigidez para o pórtico inteiro, e na casa do tipo “gafanhoto”, também são usados contraventamentos diagonais. fig. 22

Figura 22: Esquema construtivo do tipo de casa “gafanhoto” kamayurá. Manual de arquitetura kamayurá, 2019

Os troncos fincados diretamente no chão apodrecem com facilidade. Isso não é um problema em casos como o das povoações amazônicas, onde a vida útil das construções é de algumas décadas. Em construções concebidas para durar séculos em vez de décadas, isso passa a ser um problema. Nesses casos, é mais comum estabelecer uma fundação ligeiramente elevada com respeito à cota do terreno. Já vimos antes como fazer fundações cavando valas e, se necessário, cravando estacas antes de construir os alicerces.

A plataforma sobre a qual vamos levantar as colunatas raramente está no nível natural do terreno; na construção arquitravada, ela é quase sempre soerguida — seja num pódio, como é o caso da arquitetura persa e na Itália, seja sobre alguns degraus, como na Grécia. fig. 23 O pódio pertence mais propriamente à construção murária, da qual vamos tratar na próxima seção; já o krepidoma ou degraus vai merecer um tratamento mais detalhado junto com o sistema formal das ordens clássicas greco-romanas.

Figura 23: Krepidoma do templo de Zeus, Stratos, Grécia, iniciado 321 a.C. Foto: Rjdeadly, 2016

Figura 24: Colunas em madeira sobre bases em pedra, salão do Darma, Kenninji, Quioto, 1765. Foto: Blanco Teko, 2011

Por mais que o estilóbata esteja elevado acima do terreno à sua volta, as colunas ainda têm quase sempre uma base em pedra. fig. 24 Essa base, um pouco mais larga do que o próprio fuste da coluna, evita que a madeira entre em contato com qualquer poça d’água que tivesse acumulado no estilóbata, e também ajudava a regularizar o assentamento da coluna sobre o piso.

Figura 25: Charlez Chipiez (1835–1901), Retrato oficial da Academia de Arquitetura da França

A construção arquitravada do Mediterrâneo oriental se origina desse tipo de cabana com esteios em madeira apoiados sobre bases em pedra, e vigas em madeira apoiadas sobre os esteios. Nenhuma dessas ligações é engastada ou rígida. O arquiteto e professor francês Charles Chipiez fig. 25 viajou na segunda metade do século XIX pela Pérsia, Egito, Mesopotâmia e Anatólia para tentar reconstituir a origem dessa tradição. Ele aplicou um método arqueológico e etnográfico moderno ao mesmo problema sobre o qual tinham se debruçado Vitrúvio, Laugier e Semper: explicar a origem da arquitetura clássica greco-romana por meio de alguma forma de cabana primitiva.

Em 1876, Chipiez publicou um livro intitulado História crítica das origens e da formação das ordens gregas.Chipiez, Histoire critique des origines et de la formation des ordres grecs.

Além de discutir exemplos canônicos da arquitetura monumental do antigo Oriente Médio, fig. 26 Chipiez documentou algumas cabanas rústicas contemporâneas no interior da Anatólia, na Turquia.

Figura 26: “Ordens” de colunas egípcias, persas e jônicas gregas. Chipiez, 1876. Sem escala

Figura 27: Cabana vernácula na Anatólia com colunata dianteira. Chipiez, 1876

O modelo interpretativo proposto por Chipiez reporta as origens da tradição arquitravada do Mediterrâneo oriental a esses tipos de cabanas que subsistiam ainda, no século XIX, na Anatólia. fig. 27 Na verdade, a evidência arqueológica não nos permite dizer se essas cabanas do século XIX eram iguais ou mesmo parecidas com as formas mais primitivas de cabanas em madeira no Mediterrâneo oriental como um todo.

Figura 28: Região de origem da construção arquitravada “clássica”

Mesmo que a evidência histórica dessa genealogia seja frágil, para dizer o mínimo, ela é relevante do ponto de vista da lógica de montagem da construção arquitravada. O modelo de Chipiez era um esforço sistemático para integrar todas as tradições arquitravadas da região, desde a Pérsia até a Grécia, passando pela costa do Levante, pelo Egito e pela Anatólia. fig. 28

As cabanas documentadas por Chipiez demonstram uma aplicação consistente de um sistema de colunas com base, fuste e capitel, acompanhadas de um entablamento com vigas mestras ou arquitraves (daí o nome desse sistema), barrotes e platibandas. fig. 29 Não importa se essas cabanas representam a origem ou uma variação em torno do tema da arquitetura clássica: elas demonstram a existência de uma tradição difundida e resiliente ao longo de pelo menos três milênios.

As cabanas de Chipiez também demonstram as proporções limite para estruturas com grandes peças de madeira: 1:15 para as colunas e 1:10 para as vigas. É claro que o cálculo estrutural moderno permite um dimensionamento mais preciso de cada elemento, mas essas proporções são limites práticos e seguros no conhecimento empírico da construção tradicional.

Figura 29: Cabana vernácula na Anatólia com colunata perimetral, segundo Chipiez, 1876

Figura 30: Fustes invertidos das colunas no palácio de Cnossos, c. 1650 a.C., em reconstituição de Arthur Evans, 1922. Foto: Olaf Tausch, 2016

Uma versão do sistema mediterrâneo usando troncos de madeira mais robustos foi experimentada no mundo grego durante a Idade do Bronze. Entre 1500 e 1300 a.C., os palácios minoicos e heládicos usavam fustes invertidos apoiados sobre bases. Essa forma talvez remetesse a um uso primitivo de troncos fincados no chão pela ponta mais estreita. Em qualquer caso, eles foram um estilo muito característico de palácios como Cnossos. fig. 30

Figura 31: Auguste Choisy (1841–1909) fotografado por Eugène Pirou, 1904

A construção arquitravada em pedra não deve ser vista como um progresso sobre a construção em madeira; edifícios monumentais em pedra podem ser tão ou mais antigos quanto outros edifícios monumentais em madeira. A diferença, como notou o historiador da arquitetura francês Auguste Choisy fig. 31 no final do século XIX, pode ter tanto a ver com a disponibilidade de materiais quanto com um desejo de fazer construções mais duráveis.Choisy, Histoire de l’architecture.

É o caso do Egito antigo, onde a madeira de qualidade para construir era muito escassa, em geral reservada para a construção naval e mesmo assim importada.

As principais diferenças entre a construção com madeira e com pedra dizem respeito à baixa resistência da pedra à flexão. Isso implica que as construções em pedra não podem ter praticamente nenhum balanço estrutural. fig. 32

Figura 32: Pilares e lajes em pedra no Egito antigo. Choisy, 1899

Como os elementos estruturais não podem estar em balanço, as arquitraves precisam sempre ter as suas extremidades dentro da projeção vertical das colunas que as sustentam. Essa condição foi minuciosamente documentada com respeito aos templos da Grécia clássica pelo historiador da arquitetura alemão Josef Durm. fig. 33

Figura 33: Arquitrave do templo de Zeus Olímpico, Atenas, século II d.C. Josef Durm, 1892

Os livros de Durm são manuais de construção tradicional exaustivos, usando como base as tradições da Grécia clássica e dos etruscos.Durm, Die Baukunst der Griechen; Durm, Die Baukunst der Etrusker. Die Baukunst der Römer.

Estude com atenção as figuras em ambos e aprenderá muito sobre como montar uma estrutura arquitravada.

Assoalhos e terraços

Num sistema arquitravado puro, por assim dizer, como nas tradições clássica e chinesa, as colunas são simplesmente apoiadas sobre as suas bases, e as arquitraves são apoiadas sobre as colunas. Já vimos que esses sistemas são bastante resistentes a cargas verticais (ver fig. 15), e agora vamos ver como torná-los resistentes também a esforços horizontais como o vento, terremotos, fig. 34 ou mesmo a simples irregularidade de distribuição das cargas.

Figura 34: Comportamento estrutural de um pagode japonês num terremoto. Vídeo: Science Channel, 2016.

Figura 35: Diagrama dos sistemas construtivos de uma célula em Çatal Höyük, c. 6500 a.C.

A forma mais simples de contraventamento estrutural possível é construir um terraço rígido cobrindo a edificação. Na aldeia neolítica de Çatal Höyük, no sul da Anatólia, esse sistema é formado por uma sobreposição de vigas mestras (arquitraves), barrotes, uma manta de vime e um terrapleno espesso em terra batida, revestido com cal. fig. 35 Além disso, os esteios em madeira também são contraventados diretamente pelas paredes em blocos de adobe.

Uma característica importante do sistema arquitravado do Mediterrâneo oriental é que ele não tem nenhuma forma de contraventamento intrínseca à sua concepção estrutural. Todos os elementos construtivos, das bases das colunas aos barrotes, são simplesmente apoiados uns sobre os outros sem nenhum travamento substancial. Nenhum elemento diagonal vem dar rigidez à montagem de peças verticais e horizontais. Um esqueleto relativamente leve em madeira sem contraventamento é uma construção muito frágil; qualquer carga horizontal, como nos terremotos que são bastante frequentes na região, derruba o edifício como se fosse uma torre de Jenga. Mesmo algum assentamento diferencial nas fundações poderia pôr em risco a estabilidade da construção.

Duas soluções conjuntas resolvem o problema do contraventamento na construção arquitravada do Mediterrâneo oriental:

  1. Redundância estrutural

  2. Núcleo rígido

A primeira solução é uma certa redundância no dimensionamento da estrutura. Essa redundância não é só uma margem de segurança no perfil de cada elemento tomado individualmente — o diâmetro das colunas ou a seção das arquitraves e dos barrotes. Ainda assim, essa margem de segurança existe e não é pequena. A gama de proporções canônicas das ordens clássicas gregas, ou mesmo a das colunas persas, é um tanto conservadora (compare figs. 26, 27); uma parte disso tem a ver com a transposição de materiais da madeira para a pedra.

Figura 36: Arquitraves de templos da Grécia arcaica e clássica. Josef Durm, 1892

A redundância vai além das dimensões das colunas: na arquitetura grega, as arquitraves costumam ser duplicadas ou mesmo triplicadas em profundidade, agregando mais um nível de redundância. fig. 36 Outra forma de redundância estrutural está nos vãos: os intercolúnios (a distância entre os eixos das colunas) são bastante estreitos, e as proporções das colunatas egípcias, persas e gregas são muito verticalizadas. fig. 26

Além da redundância no dimensionamento da estrutura arquitravada, as tradições do Mediterrâneo oriental também usam elementos de contraventamento no sentido mais estrito. Os principais são as paredes em alvenaria que geralmente estão associadas à estrutura arquitravada. Um dos exemplos mais antigos e literais desse método é o chamado heroön, ou túmulo do herói, em Lefkandi, construído na Grécia no século X a.C.. fig. 37

Nessa construção, temos duas colunatas em madeira com as suas arquitraves — um períptero, ou ala que contorna o exterior da edificação, e uma colunata no eixo longitudinal, sustentando a viga de cumeeira. Além de as colunas estarem engastadas no solo, ambas as colunatas são ligadas por vigas secundárias a uma parede de adobe com fundações em pedra lavrada. fig. 38

Figura 37: Axonométrica do túmulo dito heroön (tumba do herói), Lefkandi, Grécia, século X a.C.

Figura 38: Corte transversal do heroön de Lefkandi

Figura 39: Perspectiva analítica do templo de Afaia em Egina, século V a.C., segundo Lawrence

O tipo construtivo do túmulo de Lefkandi é uma dentre muitas variações sobre o tema da combinação de colunatas em madeira com paredes em alvenaria que foram exploradas na Grécia do período geométrico, entre os séculos X e VIII a.C. Essas variações acabaram se consolidando em dois tipos predominantes que, a partir do final do século VII, deram origem às duas primeiras ordens clássicas em pedra: a dórica fig. 39 e a jônica. Mais adiante vamos nos debruçar em detalhe sobre essas ordens, e sobre as adaptações graduais que o uso da pedra como material de construção implica.

Figura 40: Proporção modular das colunatas no mausoléu de Dario I, século [V] a.C. Choisy, 1899

Na arquitetura monumental da Pérsia antiga, o método de contraventamento é diferente. Encontramos grandes salões hipostilos — ou seja, pontuados por uma malha bastante cerrada de colunas (fig. 40) — onde as paredes contornam o perímetro do salão.

Nesse caso, as paredes perimetrais sozinhas não resolvem o problema do contraventamento. fig. 41 Em vez disso, todo o espaço do apadana (esse é o nome que se dá ao salão dos palácios persas) é coberto por um terraço rígido.

Figura 41: Disposição das colunatas no apadana de Artaxerxes em Susa, século V a.C. Choisy, 1899

Esse terraço tem uma construção complexa, como todo assoalho horizontal na arquitetura tradicional. A estrutura do terraço começa com o sistema de vigas mestras e secundárias: as primeiras encaixadas no vão dos capitéis, as segundas apoiadas sobre o topo dos capitéis. Sobre as vigas, temos um sistema de barrotes muito próximos uns dos outros que sustenta um assoalho de tábuas. Esse primeiro assoalho serve de teto para o apadana; sobre ele ainda temos um terrapleno com um metro de espessura, que oferece estabilidade e isolamento térmico para o sistema da cobertura. A cobertura se completa com uma espécie de sótão e mais uma sequência de assoalhos e terraplenos; o terraço é finalmente revestido com lajes de pedra e tem uma platibanda de acabamento com tijolos vidrados. fig. 42

A montagem rebuscada desse terraço chama a nossa atenção para uma característica importante que diz respeito à forma das construções arquitravadas.

Figura 42: Reconstituição dos terraços de Persépolis. Chipiez, 1876

Figura 43: Fu Xinian, sistema de pórticos longitudinais no tingtang da dinastia Song

Na arquitetura chinesa, a estratégia de contraventamento é diferente.Fu, Traditional Chinese Architecture.

O sistema estrutural chinês é formado por pórticos planos dispostos na menor direção da construção. fig. 43 Esses pórticos são formados por vigas e caibros apoiados sobre as colunas, sem contraventamento interno.

Então, a solução adotada na China vai ser contraventar os pórticos entre si, por meio de traves de madeira engastadas logo abaixo do topo dos fustes. fig. 44 Essas arquitraves têm dimensões modulares segundo a categoria da edificação, e além de estarem engastadas nas colunas, também são fixadas umas nas outras no ponto de encaixe.Liang, A Pictorial History of Chinese Architecture.

Figura 44: Evolução das “arquitraves” de contraventamento na arquitetura chinesa, segundo Liang e Lin

Figura 45: Fu Xinian, dois sistemas de composições arquitravadas: diantang das dinastias Tang e Song e salão oficial da dinastia Ming

A partir do século XIII, também se introduz contraventamento na direção dos pórticos, pelo menos nos seus tramos exteriores. O resultado é um esqueleto contraventado em dois planos, muito mais estável. fig. 45

Da madeira à pedra

Figura 46: Charles Eisen, desenhista e gravurista, alegoria da cabana primitiva para a 2.ª edição do Essai sur l’architecture de Marc-Antoine Laugier, 1755

A arquitetura clássica é, em última análise, a razão de ser dos mitos sobre a cabana primitiva que vimos antes. Por isso, não é de surpreender que esses mitos favoreçam a tradição da Grécia antiga como descendente privilegiada da construção arquitravada em madeira, na sua versão primordial imaginária. A alegoria iluminista contada por Laugier na metade do século XVIIILaugier, Essai sur l’architecture.

é explícita em associar a invenção racional da cabana primitiva com a pretensão de superioridade da arquitetura clássica e neoclássica. fig. 46

A proposta de Chipiez e DurmChipiez, Histoire critique des origines et de la formation des ordres grecs; Durm, Die Baukunst der Griechen; Durm, Die Baukunst der Etrusker. Die Baukunst der Römer.

postula um sistema que é, na verdade, uma regressão conceitual a partir da arquitetura etrusca e grega dos períodos arcaico e clássico, nos séculos VI a IV a.C. Só que essa proposta é uma regressão conceitual a partir da construção em pedra, buscando reconstituir um estado originário ideal em madeira. Desse ponto de vista, o modelo de Durm não é muito diferente do mito da cabana primitiva proposto por Laugier quase 150 anos antes (ver fig. 46), apesar de ser um pouco mais fundamentada em estudos de campo.

Figura 47: Banister Fletcher, árvore da arquitetura, em A History of Architecture on the Comparative Method, 15.ª ed. (1950)

A precedência da tradição grega nas histórias gerais da arquitetura é tão forte e tão pouco questionada que ela acaba sendo vista como um tronco totalmente autônomo, por exemplo na famosa “árvore da arquitetura” esquematizada por Banister Fletcher da terceira edição do seu livro-texto em diante. fig. 47 O milagre grego da arquitetura clássica é quase tão universalmente aceito, e quase tão estereotipado, quanto o milagre da filosofia grega.

Por causa disso, é fácil esquecer que a arquitetura grega faz parte de uma tradição mais ampla de construção em madeira no Mediterrâneo oriental e no Crescente fértil. Essa tradição pode ser associada a uma faixa de montanhas e planaltos arborizados que vai da Pérsia até a Itália, passando pela Anatólia e pela Grécia. fig. 28 A partir do final da Idade do Bronze, por volta do século XIII a.C., essas regiões começam a desenvolver certos modos de construir com colunas e vigas em madeira, geralmente associadas a paredes de vedação em alvenaria.

A tradição arquitravada do Mediterrâneo oriental geralmente combina um sistema de colunas em madeira com paredes em alvenaria, que servem de divisórias no espaço mas também costumam ter função estrutural . fig. 27 As colunas propriamente ditas são, na sua origem, troncos de árvores.

Por causa do uso de troncos nas origens dessa tradição, as colunas têm uma contratura elegante, onde o diâmetro superior é ligeiramente menor do que o diâmetro inferior. Essa contratura é feita com um perfil em curva suave, chamado de êntase. Num antigo canteiro de obra grego, foi descoberto um diagrama que mostra o método de construção geométrica dessa curva, numa escala distorcida verticalmente; esse método já tinha sido intuído pelo arquiteto italiano Fra Giocondo no século XVI, muito antes da descoberta desse diagrama. fig. 48

Figura 48: Esquema da êntase de uma coluna clássica, na edição do tratado de Vitrúvio por Fra Giocondo, século XVI (redesenhado no século XX)

Do mesmo modo, o topo da coluna não encosta diretamente na viga, mas é coroado com um capitel. Diferentes formas de capitéis correspondem a diferentes necessidades estruturais: mãos lineares para um lado ou para o outro ajudam a conter o cisalhamento nas extremidades das vigas (fig. 49); capitéis quadrados servem simplesmente para regularizar o contato entre a coluna e a arquitrave; e capitéis em forma de U evitam o deslizamento das vigas para os lados, além de facilitar a sobreposição de vigas perpendiculares entre si.

Figura 49: Arquétipo em madeira da ordem toscana, segundo Chipiez, 1876

A construção arquitravada é aditiva por natureza. Ela se compõe da montagem de elementos claramente distintos entre si, relativamente grandes na escala da edificação como um todo, e encaixados ou apoiados uns sobre os outros. Essa montagem tende a produzir um sistema espacial modular a partir das dimensões dos principais elementos da arquitetura — as colunas e os vãos entre elas, definidos pelas arquitraves.

Construir com elementos modulares é uma prática especialmente vantajosa na arquitetura em madeira. Isso é o caso porque o ciclo de produção das colunas e vigas em madeira é relativamente longo e distante do canteiro de obra: os perfis serrados precisam secar durante vários meses, até dois anos dependendo do clima, e demandam uma área espaçosa para isso. Essa distância física e temporal entre o corte das árvores e a construção do edifício favorece a padronização das medidas de pilares e vigas.

No Yingzao fashi, uma compilação de regras para a construção editada pelo arquiteto chinês Li Jie no final do século XI d.C., há oito classes hierárquicas de construção que correspondem a outros tantos módulos de seção e comprimento das vigas, das colunas e dos elementos acessórios.Liang, A Pictorial History of Chinese Architecture.

Essa regra continuou em vigor e foi reeditada várias vezes na China até a segunda metade do século XVIII. Na prancha ilustrada pelo historiador da arquitetura Liang Sicheng, no século XX, as dimensões padrão de vigas em cada uma das oito classes ficam bem evidentes. fig. 50 O resultado são edifícios também modulares, com tramos estruturais que seguem dimensões e proporções padronizadas.

Figura 50: Regras de carpintaria segundo o Yingcao fashi, século XI, traduzidas e ilustradas por Liang Sicheng no século XX

Outros sistemas seguem uma lógica mais simples. No stick framing, o modo norte-americano de construir com madeira serrada, os perfis são sempre leves o suficiente para serem carregados e montados por equipes pequenas de carpinteiros. As dimensões são altamente padronizadas em medidas nominais, e o desempenho estrutural das armações de esteios e barrotes é bem conhecido.

A modularidade tem um papel importante na padronização de concepções estruturais e de dimensionamento da construção, mas além disso ela pode, ou não, ser explorada como um instrumento de articulação arquitetônica. No caso da carpintaria norte-americana, essa modularidade simplesmente estabelece espessuras padrão de paredes e limites práticos para o tamanho das peças na arquitetura residencial. Já em sistemas que usam elementos de grande porte, como a carpintaria chinesa ou europeia, os módulos são mais determinantes para a proporção geral da construção, mas também podem ser manipulados e ajustados a condições específicas.

Especialmente comuns são a diminuição de amplitude dos vãos do centro para as extremidades, e a diminuição de altura dos níveis da base para o topo. Outra possibilidade é o uso de tramos alternados.

Uma das variações mais frequentes em várias tradições de construção arquitravada é aumentar a amplitude do vão central e reduzi-la nas extremidades da colunata. Esse ajuste está previsto no Yingcao fashi e é um dos assim chamados “refinamentos ópticos” bem conhecidos na arquitetura clássica greco-romana. Talvez essa prática se origine de uma percepção intuitiva de que os cantos da construção precisam ter uma estrutura reforçada, seja para contraventamento, seja por causa do assentamento das fundações. Em qualquer caso, ela transmite um senso visual de estabilidade e equilíbrio que é quase tão importante para a firmitas vitruviana quanto a solidez efetiva da construção.

É pelo mesmo motivo da estabilidade estrutural e visual que se costuma reduzir a altura dos níveis sucessivos da estrutura, da base até o topo. Palladio indicava reduzir cada pavimento sucessivo a 15/16, ⅞ e ¾ da altura do térreo. Essa diminuição proporcional da estrutura visível não implica necessariamente disciplinar as alturas dos pavimentos por trás da fachada.

O modo mais flexível de introduzir variações na modularidade de uma composição arquitravada é com o uso de tramos alternados. É uma solução relativamente rara na construção em madeira, e muito mais comum com pedra, especialmente manipulando sistemas de ordens clássicas. Os tramos alternados começaram a se popularizar na Europa medieval e se tornam um expediente habitual de composição no Renascimento.Geymüller, Die Baukunst der Renaissance in Frankreich.

Os tramos alternados, em duas ou mais medidas que se seguem num ritmo, permitem resolver uma variedade de condições estruturais, funcionais ou estéticas. A forma mais comum é enquadrar um vão largo entre dois vãos estreitos, e assim sucessivamente, terminando sempre com um vão estreito nas extremidades da construção, e tendo de preferência um vão largo no eixo de simetria.

O mito da cabana primitiva nos deu a deixa para falar da madeira como material de construção primordial. Esse material se presta a sistemas de construção que chamamos de arquitravados, compostos de modo aditivo por pilares e vigas apoiados ou encaixados uns nos outros. As formas que esses sistemas assumem em todo o mundo vêm justamente das propriedades estruturais da madeira: alta resistência à tração e à compressão, baixa resistência ao cisalhamento. Isso resulta em sistemas com colunas e vigas esbeltas, ligadas por capitéis lineares ou mãos de apoio bem desenvolvidas. O contraventamento é uma necessidade, e costuma ser feito com elementos encaixados uns nos outros, núcleos de paredes em alvenaria ou terraços rígidos. Pela sua natureza, a construção arquitravada resulta em malhas lineares de pontos de apoio; vamos ver na sequência como essa lógica é diferente da construção murária — feita de paredes portantes.

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